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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Motins em Londres

O início do mês de Agosto está a ser marcado pelo acentuar da crise dos mercados bolsistas em todo o mundo e, em simultâneo, pelos acontecimentos em Londres. Muitas notícias e comentários associam as duas situações. Mas será assim? Quer dizer, os motins em Londres são uma espécie de resposta às medidas de austeridade que têm vindo a ser implementadas em vários países da Europa incluindo Reino Unido ou resultam, principalmente, de outra conjugação de aspectos sociais e culturais eventualmente presentes nos grandes centros urbanos europeus? Não é fácil responder...
Aparentemente, o rastilho terá sido uma intervenção não explicada (ainda?) da polícia em Tottenham de que resultou a morte de um cidadão daquela zona de Londres. Poder-se-ia compreender uma revolta forte da população local com manifestações e outro tipo de acções de protesto. No entanto, claramente a situação resvalou para vandalismo "puro e duro". Parece-me que é importante analisar e compreender as causas desta actuação de jovens entre os 16 e os 20 anos mas, em simultâneo, e no curto prazo, é expectável uma actuação firme da polícia inglesa. Não pode ser justificável ou defensável o vandalismo que prejudica em primeira análise a população local.
Retiro de um site (esquerda.net) uma alusão ao comentário do sociólogo Boaventura Sousa Santos:
"Segundo o sociólogo português, estes acontecimentos, ao contrário do que se passou nos anos 80, não resultam tanto de uma questão marcadamente racial, mas sim devido ao consenso social que «rebentou», resultado da situação de declínio económico na Europa e das sucessivas receitas de austeridade"
Os comentários de (alguns) sociólogos (de que Boaventura de Sousa Santos é o expoente máximo)  é evidentemente respeitável mas, neste caso, faz-me lembrar os comentários de um outro sociólogo inglês do início dos anos 70...


domingo, 31 de julho de 2011

Entrevista a Mário Soares

Mário Soares é uma figura de referência e, na minha perspectiva, a figura política portuguesa mais relevante da 2ª metade do século XX. Pela sua acção e decisões (quando esteve no poder), de certa forma, definiu o modo de vida de várias gerações de portugueses. Como nasci em 1964, a sua "presença" na minha adolescência e crescimento até à idade adulta foi quase permanente.

Relevo, aqui, três momentos que considero marcantes na sua vida política:

- 1974 a 1976 no combate ao PREC, assegurando a introdução de um sistema político democrático em Portugal;
- Em 1985, como primeiro ministro, ao liderar e assinar a entrada de Portugal na CEE;
- Em 1986, ao tornar-se o 1º Presidente da República civil após o 25 de Abril contribuindo, de forma decisiva, para a consolidação de um sistema democrático sem tutela militar.

Li e reli a entrevista de Mário Soares concedida à Revista Única (do Expresso). Mário Soares, apesar ou, provavelmente, por ter 87 anos deve continuar a ser ouvido. Mantém a sua crença no designado socialismo democrático e no federalismo europeu. Da entrevista, retiro duas ideias principais:
1. A Europa deve caminhar para o federalismo, ou seja, para a existência de um governo europeu dotado de meios financeiros próprios;
2. O capitalismo é o modelo que temos e não existe outro para o substituir. Mas precisamos que tenha princípios, seja ético.