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domingo, 30 de outubro de 2016

Déjà vu?


"O negócio da paz tem feito a fortuna de Costa, que parece governar sem críticas e funciona como conta-poupança para o BE e o PCP que por cada dia de paz deixam marcas nas leis e no aparelho de Estado. Mas e depois? Como vai ser quando tudo isto acabar? O preço da paz de Costa vai chegar então nos acordos de trabalho blindados nas empresas públicas, nas leis anacrónicas, nos garantismos que ninguém poderá pagar.
Pior que ter de ouvir Costa a dizer-nos agora que vivemos num clima de paz social e de normalidade institucional, como se não soubesse quão caro isso nos está a custar, vai ser ver montar o arraial da indignação aos profissionais do costume, dizendo as coisas do costume. Afinal a única coisa que muda neste filme são os impostos que os parvos do costume têm de pagar para que não falte nada aos compradores-vendedores de paz."
Helena Matos in http://observador.pt/opiniao/vende-se-paz-social-aceitam-se-contrapartidas/

domingo, 17 de julho de 2016

Explicação Clara quanto ao facto da atual política não considerar os mais desprotegidos...


"Muita gente do sector privado, com o qual o PS parece pouco preocupado, não tem segurança no emprego nem hipóteses de emprego em caso de despedimento na meia idade. Somem-se as centenas de pequenas e médias empresas falidas e a escassa concessão de crédito por bancos falidos. Em Portugal quem vai à falência fica na falência, ninguém lhe dará uma segunda oportunidade. Esta gente teve e terá de contribuir, indirectamente, para o resgate de bandidos que durante anos especularam e abusaram do tal malparado para enriquecer as suas fortunas e colecções de arte.

Não vejo o governo socialista falar sobre os que não são funcionários públicos, os que não se podem reformar da banca antes do tempo legal, os que não acumulam reformas e salários, os que não têm protecção nem salário certo, os que não têm sindicatos comunistas a respaldá-los. Os que tomam antidepressivos. Os que andam a conduzir tuk tuks e carros Uber para sobreviver. Os diplomados que se tornaram agentes imobiliários ou agricultores. Os que foram brutalizados em Angola. Os que regressaram. Os que pagam salários sem terem lucro. Os que estão em call centers. Os que estão ao balcão a ganhar menos de um salário mínimo. Os que desistem. Os que não podem emigrar. Os que vendem as pratas, as roupas e as antiguidades nos passeios da cidade. Os que fazem bolos e compotas para fora. Os que têm dívidas ao Fisco e à Segurança Social que não podem pagar. Os que comem (às escondidas) do Banco Alimentar. Os que perderam o que tinham.

Nunca ouço os socialistas falar desta gente, a que não vai à Festa do "Avante" nem acha graça à reposição das 35 horas. Dessas promessas ao PCP e ao Bloco que o PS quis cumprir, sobrará para estes deserdados a nova austeridade. Ou mais impostos. Porque no Estado ninguém mexe."

in Expresso de 16 de julho de 2016 - Clara Ferreira Alves "O Sector Público"

domingo, 25 de outubro de 2015

Recreio...parece que sim...mas, provavelmente, vai sair caro...


"No meio deste limbo governativo, alguns sectores do Estado das Corporações, que é nosso, vão, pela calada, obtendo novos privilégios: os trabalhadores das autarquias vêem o seu horário laboral descer para as 35 horas e os polícias conquistam o direito de se reformarem aos 55 anos, depois de 36 nessa missão de alto risco. O Estado é generoso: paga melhor, nunca despede, não exige nenhuma avaliação de desempenho, pagando o mesmo aos bons e aos maus, contenta-se com menos trabalho e reforma mais cedo. O facto de tudo isto não ser sustentável senão à custa de esmifrar os que não vivem sob a sua proteção é apenas um pormenor. O pormenor que nos arruína. E que, uma vez mais, seja qual for o governo, vai continuar por resolver."
Miguel Sousa Tavares in Expresso de 24 de outubro de 2015

"Depois de terem espremido tudo o que puderem de António Costa, ou seja, do Estado, ou seja, do contribuinte, onde ficarão o Bloco e o PC? Deixaram pelo caminho as causas e os símbolos que os distinguiam (a hostilidade à NATO e à Europa) a troco de alguns ridículos remendos na interminável miséria do país. Fizeram grandes discursos para desabafar. Insultaram o Presidente e a direita. Espalharam um bom saco de calúnias. E o resultado? O resultado não foi nenhuma espécie de libertação e eles, como os portugueses, continuarão presos ao mecanismo que tanto odeiam. A “esquerda” acabará por pagar este recreio que o dr. Costa inventou. Saíram das suas cavernas, respiraram fundo e conseguiram mesmo uma vaga impressão de poder, que de certeza os regalou muito."
Vasco Pulido Valente in Público de 25 de outubro de 2015

domingo, 5 de abril de 2015

Sampaio da Nóvoa


Quando me apercebi que, efetivamente, corremos o risco de ter como Presidente da República o ex-reitor da Universidade de Lisboa comecei a preparar um texto que descrevesse a minha perspetiva sobre Sampaio da Nóvoa como candidato à presidência.

Mas, entretanto, foi publicado e divulgado este texto de um deputado do PS:


Nota: nunca pensei que poderia acontecer...um texto de Sérgio Sousa Pinto reproduzido no blogue 100democracia

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Mais uma greve da "frente comum"


Marcada para 13 de março...6ª feira...

A Frente Comum da CGTP / PCP tem uma grande capacidade de "construir" pontes e fins de semana alargados.



quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Suplementos


Eis o que acontece quando juntamos má gestão e corporativismo:

"No levantamento feito, no ano passado, pelo Ministério das Finanças, conclui-se que há 280 suplementos diferentes pagos aos funcionários públicos além do seu salário base. São suplementos tão diferenciados como para gratificar "tratador de canídeos ou de solípedes" ou para "toque de sino nas cerimónias solenes e colocação de bandeira". Há ainda ministérios com a prerrogativa única de pagar "suplemento de colónia de férias" ou para garantir a "redução do preço dos comboios". Tudo somado, o custo anual dos suplementos remuneratórios dos funcionários públicos custa 700 milhões de euros.

Desta fatura dos suplementos ficam de fora os subsídios obrigatórios que o Estado tem de pagar aos seus funcionários: como o de refeição (520 milhões de euros) e ajudas de custo (120 milhões de euros). São apenas complementos salariais, muitos deles exclusivos de cada ministério, que são abordados no relatório das Finanças. E são, de facto, imensos."

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/ha-quem-receba-suplementos-do-estado-para-tocar-um-sino=f889130#ixzz3D2m6MtZ1

sábado, 8 de junho de 2013

Silva Lopes

Esta semana José da Silva Lopes foi entrevistado pelo Jornal de Negócios. José da Silva Lopes foi ministro das Finanças em 1978, governador do Banco de Portugal entre 1975 e 1980 e presidente do Conselho Económico Social (1996 a 2003) sendo conotado, frequentemente, com o PS.

Trata-se, como tal, de um economista experiente que tem uma visão privilegiada das políticas seguidas nos últimos 35 anos e uma perspetiva a considerar em relação à atual situação económica e financeira de Portugal.

 Deu  uma entrevista ao Jornal de Negócios de 7 de junho...completamente ignorada pelos restantes orgãos de comunicação social. Porquê? É que as opiniões de Silva Lopes são "contra a corrente".
Mas vale a pena ler a entrevista da qual retirei algumas frases que dizem muito quanto à situação política e económica por que passamos:

"Estamos a ver revoltas, mas não dos que mais sofrem. É dos que podem"

"Se queremos viver num país decente temos de cortar nas pensões mais altas"

"Os pobres e os desempregados é que estão a pagar a factura e andamos preocupados com a tropa e os professores"

"As pessoas querem despesa. Alguém paga. Nunca pensam que são elas que pagam. Esse alguém podem ser...os ricos. Que ainda por cima são os que sabem não pagar"

domingo, 12 de maio de 2013

Corte retroativo nas pensões é inconstitucional diz Jorge Miranda

Segundo Jorge Miranda (constitucionalista) o corte retroativo de pensões é inconstitucional. Não discuto, não sou constitucionalista apesar de já ter percebido que podem existir múltiplas interpretações da Constituição.

Parece-me é que vivemos, nos últimos anos, sob regras absolutamente imorais e, eventualmente, inconstitucionais (o que não posso afirmar, porque não sou constitucionalista, limito-me a tentar olhar para as questões com "olhos" de bom senso).

Preto no branco, ficamos a saber que o calculo do valor das pensões diferia e era (e continua a ser) claramente mais vantajoso  na Caixa Geral de Aposentações (CGA) em relação à Segurança Social (SS). Quer dizer, o valor das pensões de reforma de ex trabalhadores da função pública é, em média, claramente superior ao valor das pensões de reforma de ex trabalhadores do sector privado, em larga medida porque as regras de calculo foram sempre mais generosas: no Estado, as pessoas aposentaram-se durante muito tempo com o último salário, enquanto no privado eram os melhores dez dos últimos quinze anos. Outra fonte de desigualdade é que os descontos do sector público eram mais baixos (10% contra 11%) e podiam reformar-se mais cedo.

Esta falta de equidade é gritante e prejudicou (e prejudica) milhares de pensionistas da SS (ainda não percebi porque os eméritos constitucionalistas não se referiram a esta situação - provavelmente, porque muitos deles são pensionistas da CGA). Só há uma forma de resolver este problema de falta de igualdade: é recalcular a pensão de reforma de todos os pensionistas da segurança social de acordo com as mesmas regras que vigoravam na CGA no momento da sua aposentação e efetuar o pagamento retroativo da diferença do valor para a pensão atual de modo a repôr a justiça da situação. A partir daqui, deve ser definido um regime único para todos.

Já me disseram que isto é impossível porque custaria muito dinheiro ao Estado (quer dizer aos cidadãos contribuintes). Mas (segundo os próprios constitucionalistas) dinheiro não interessa. O que é relevante são os princípios, os direitos sociais, a equidade.

O aumento de IVA para 25% poderia trazer cerca de 500 milhões de euros por ano para esta causa. Claro, aumentar-se-ia o IRS e pagariamos todos mais impostos mas será isto verdadeiramente importante face à injustiça que reparariamos? 

domingo, 4 de novembro de 2012

Discursos vazios e manipuladores

Todos os dias vemos e ouvimos discursos mais ou menos inflamados sobre a situação política em Portugal e as diferentes medidas previstas no orçamento de Estado para 2013.
O discurso radicalizou-se em vários quadrantes, por exemplo, sindicatos da CGTP, ex - militares, ex-presidentes, ex-ministros e até magistrados e juízes para não falar dos partidos da oposição.
Existem três traços comuns nestes discursos que vemos, lemos e ouvimos repetidamente:

1. A aparente convicção de que falar repetidamente num problema faz com que ele se resolva, Por exemplo, referir até à exaustão (e em tom de voz alto) que a taxa de desemprego é alta não resolve, seguramente, este grave problema da sociedade portuguesa;

2. Uma análise simplista, aparentemente sustentada em princípios e valores sociais mas frequentemente sem uma única referência a factos objectivos. Por exemplo, contestar os "cortes" nas reformas e pensões sociais sem referir e ter como base os custos efetivos (números concretos) atuais e futuros do Estado com prestações sociais.;

3. Um diagnóstico imperfeito em que se apontam os problemas mas sem soluções alternativas, excepto, em alguns casos em que se utilizam frases feitas do tipo "renegociar a dívida" (não depende só de nós), "crescimento económico" (e como?), etc...

Como sempre, devemos ter os "filtros" sempre ativos porque estes discursos vazios e manipuladores são, cada vez, mais frequentes. Alguns exemplos:

A ordem dos médicos apoiou a greve dos médicos para proteger o SNS ou para conseguir melhores salários para esta corporação profissional?
Vasco Lourenço está preocupado com a democracia em Portugal ou está a fazer pressão indevida para que não exista corte nas pensões atribuídas aos ex militares?
O governo quer mesmo fazer cortes na despesa do Estado a partir de 2014 ou trata-se de um discurso político para ganhar tempo e "compreensão" dos portugueses perante o confisco do OE de 2013?
O PS está preocupado com a sustentabilidade do estado social ou acha que políticamente é mais vantajoso rejeitar negociar com o governo?

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Quanto custa um Audi A5

É demagogia e populismo discutirmos o facto dos deputados do PS terem escolhido, como um dos carros do grupo parlamentar, um Audi A5 - que custa cerca de 70.000 euros. É, provavelmente, verdade!

Mas não são os políticos que diariamente, por exemplo, na Assembleia da República (AR) nos "bombardeiam" com discursos e argumentos demagógicos e populistas?

Como tal, a discussão à volta do Audi A5 (e de mais 3 WW Passat), adquirido em regime de leasing pela AR para utilização do grupo parlamentar do PS, é absolutamente legítima e justifica-se, ainda mais, face à situação em que se encontra o país e as dificuldades por que passam um número significativo de portugueses.

Nesta análise nem sequer vou listar marcas e modelos de carros significativamente menos dispendiosos que permitiriam um nível de conforto similar e que não desonrariam, de forma nenhuma, os srs. deputados.

O que ressalta deste episódio é a atitude de sobranceria de Carlos Zorrinho (que é visível, frequentemente, na designada "elite" política e não só) que acha que a sua função só sai prestigiada se utilizar um BMW série 5 ou um Audi A5, independentemente do país que o rodeia.

Na nossa classe dirigente está instalada e assimilada a cultura do pedestal, a perspetiva de que as suas funções são críticas para o funcionamento do Estado e que ao país só resta trabalhar e pagar impostos para manter tão "nobres" serviços.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

E agora Pedro?

A mais grave consequência do anúncio de Pedro Passos Coelho (PPC) é o facto do governo ter perdido capacidade de intervenção para aplicação de medidas de ajustamento orçamental.

O governo de PPC vai sair desta situação enfraquecido para "combater" interesses instalados do "regime" (empresas, autarquias, fundações, corporações) e isso é péssimo para reduzir a despesa do Estado.

Como tal, no fundo, os principais prejudicados com a situação criada pelo governo de PPC com o anúncio  aparentemente precipitado e não sustentado de redução da TSU, serão (como sempre) os contribuintes (leia-se classe média / trabalhadores por conta de outrem) que serão chamados a pagar a fraqueza do Estado.

Este Estado, desde há 25 anos tem demonstrado ser forte com os fracos e fraco com os fortes. Ainda não é agora, com PPC que isso vai mudar.


terça-feira, 17 de julho de 2012

Os outros que paguem a crise...

No Jornal de Notícias de hoje, o comentário de Alberto Castro exprime a minha perspectiva sobre a situação actual. De uma forma assertiva revela aquilo que é, normalmente, esquecido. Os recursos disponíveis são finitos e para manter o status quo, iníquo, de alguns, outros, já em situação difícil, vêm os seus problemas agravados.
Por coincidência no JN de hoje uma reportagem referia que é cada vez maior o nº de famílias portuguesas que não tem dinheiro para pagar a água. 

Os recursos disponíveis deveriam, assim, ser canalizados para estes (por exemplo, através da diminuição do IVA em produtos alimentares) e não para promoções em carreiras médicas ou militares.

Alguns excertos da opinião de Alberto Castro:

"Tudo espremido, parece que a condição para salvar o Serviço Nacional de Saúde se resume, e não é pouco, à garantia das carreiras médicas e de um estatuto remuneratório "decente" para aqueles profissionais. Pelo meio lá ouvimos dizer que estava em causa o ataque a um serviço que enfileirava entre os melhores da Europa e cuja dívida acumulada (3 mil milhões de euros) representaria, tão-somente, uns meros 0,5% da dívida do país. Esta última tirada, a cargo do bastonário da Ordem dos Médicos, é sintomática. Não por estar errada (mesmo que a dívida total tivesse atingido os 600 mil milhões de euros, a referência natural da dívida de um serviço público deverá ser a dívida... pública e, nesse caso, aquela percentagem aumentará mais de três vezes) mas sim por vir, logo a seguir, ligada a um palpite: pagava-se com a renegociação das parcerias público-privadas (PPP) do sector rodoviário. Resumindo: nós por cá todos (e tudo) bem. Dinheiro aqui é bem aplicado. Nós não somos o problema. O mesmo não se poderá dizer dos outros....

 Nas Forças Armadas, a ordem do dia é igual. Tal como nas forças de segurança. Ou na Justiça. Em todos esses sectores, se alguma coisa está mal é por falta de meios, humanos e materiais. Todos se sentem bem com o que fazem e alheios aos problemas que estão a criar. Ninguém se sente realmente responsável pela situação (do Estado) e, por isso mesmo, não há nenhum sentimento de urgência. Se algum problema há, é a falta de recursos. Que se desperdiçam noutras actividades. Para não ferir melindres, as corporações descobriram, agora, as PPP e as rendas excessivas na energia como fonte de todos os males orçamentais. Acabem com elas e, qual milagre da multiplicação dos pães, elas tudo pagarão. E, se não chegarem (mas é possível que não cheguem?!), uns impostos sobre os ricos resolvem o resto. O que importa mesmo é pôr o país a crescer!...

É imperioso crescer, é verdade. O que requer libertar recursos e encaminhá-los para os seus usos mais produtivos. Bem ou mal, os poucos sinais positivos vêm da capacidade que o sector empresarial privado, mesmo num contexto interno e externo adverso, tem tido de se afirmar no mercado internacional. O caminho é libertar e estimular essas forças, tributando menos a criação de riqueza e emprego e os rendimentos do trabalho. O que só será possível se houver uma diminuição drástica da despesa pública. Os cortes nas PPP e nas rendas da energia não chegam, nem pouco mais ou menos. Não geramos riqueza suficiente para manter um Estado com a dimensão, o custo e a disfuncionalidade corporativa actual. O pior que poderia acontecer seria os funcionários públicos não terem o sentido de urgência de o reformarem, não participando, enquistando-se na defesa do que presumem adquirido. Porque o corte far-se-á. Por ter de ser. No extremo, sem outro critério que não seja o quantitativo. Destruindo. E, nessa ocasião, não haverá Tribunal Constitucional que valha."

domingo, 15 de julho de 2012

Greve dos médicos

No geral, há duas visões extremas sobre as greves: uma que considera injustificadas e negativas todas as greves e outra que as considera sempre justificáveis e defensáveis.
Não alinho por nenhuma das duas perspetivas. Ou seja, não considero que uma greve só porque é feita por trabalhadores "contra" o patronato (público ou privado) é boa ou má. Devemos analisar as situações caso a caso de modo a verificar se a greve em causa (que tem implicações, em muitos casos, graves para a comunidade) é justificável, na forma e no conteúdo.
O que constato é que, nos últimos anos, a generalidade das greves tem sido feita por classes profissionais que trabalham no Estado como funcionários públicos ou em empresas públicas detidas pelo Estado.
Aqueles que vemos a fazer greve e nas manifestações convocadas, quase sempre, pela CGTP são trabalhadores de classes profissionais ligadas ao Estado que estão, em média, entre as mais protegidas e bem pagas. 
É quase cómico ver o apoio dado pelas forças políticas mais à esquerda (PCP e BE) a greves dos pilotos ou dos médicos.
Aqueles que vemos a fazer greve ou a manifestar-se não são os mais desprotegidos da sociedade. São, muitas vezes, as classes profissionais mais privilegiadas que adquiriram benefícios ao longo dos últimos 20 anos à custa da fraqueza do Estado.
A manifestação dos médicos em Lisboa mostrou o que esta classe pretende. Manter o "status quo" e atual nível de privilégios, independentemente dos recursos disponíveis. 
Esperemos que, desta vez o Estado seja forte com os fortes...para defender os fracos. Mas, sinceramente, tenho muitas dúvidas!

Altruísmos

Os médicos fizeram greve esta semana para bem do SNS e dos doentes...

Os professores agendam manifestações para bem da escola pública e da qualidade do ensino...

Os militares fazem manifestações para bem da defesa nacional e dos princípios democráticos...

Os advogados fazem greve de zelo (em Valpaços) para bem da justiça em Portugal...

O presidente do tribunal constitucional faz declarações públicas para assegurar uma melhor leitura do seu acordão e defender a equidade nacional...

Tanto altruísmo tem de ser aproveitado em próxima remodelação do governo:

Ministro da Saúde - presidente da ordem dos médicos
Ministro da Educação - presidente da Fenprof
Ministro da Defesa - presidente da associação 25 de Abril
Ministro da Justiça - presidente da ordem dos advogados
Ministro das Finanças - presidente do Tribunal Constitucional


sábado, 10 de março de 2012

Porque chegamos aqui...

Os últimos tempos têm sido pródigos em situações que ilustram, de forma clara, as razões que nos trouxeram até aqui, ou seja, à necessidade de apoio financeiro internacional:

- Trabalhadores da TAP e da CGD já não vão ter redução salarial - o nível salarial depende da força dos sindicatos e da proximidade das empresas à administração central;

- Parque escolar com derrapagens orçamentais de 70 % de acordo com Relatório de Auditoria da IGF - os gestores públicos continuam sem perceber as palavras "cumprir um orçamento" e os contribuintes pagam o desvio orçamental através de mais impostos;

- Lusoponte recebe a duplicar, compensação do Estado e receitas das portagens em Agosto - como sempre, o dinheiro dos cidadãos é utilizado para cobrir erros políticos (contratos com Lusoponte) ou erros de gestão (se a receita não ficasse na Lusoponte ficaria na Estradas de Portugal);

- "É a EDP que financia os consumidores" disse Pedro Mexia na apresentação dos resultados da empresa em 2011 (mais de 1000 milhões de lucro) - os monopólios mantêm-se e não se vislumbra qualquer alteração;

- Mário Nogueira anuncia que fenprof adere à greve de 22 de Março - a generalidade dos sindicatos da administração pública está politizada e não acrescenta valor nem aos profissionais nem à sociedade.

O governo de Pedro Passos Coelho parece estar já aculturado ao sistema político que nos envolve desde há mais de 20 anos. Enfrentar corporações profissionais? Penalizar incumprimento grosseiro de orçamentos em empresas públicas? Acabar com monopólios?

O pior do que nos está a acontecer é que estamos a pagar os erros políticos e de gestão do passado mas tudo se mantém igual. Será que não aprendemos?

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Modelo de desenvolvimento económico de Portugal

Mário Crespo e Daniel Bessa teceram hoje comentários sobre o modelo de desenvolvimento económico seguido por Portugal nos últimos 25 anos.

No jornal Expresso o jornalista Mário Crespo é incisivo no seu comentário. O modelo de desenvolvimento que seguimos nos últimos 30 anos não é sustentável:

"Estamos a comprometer de vez o futuro de pessoas que ainda não nasceram. (...) Em que se construíram auto estradas paralelas, para ao lado se arrancarem via férreas, oliveiras e vinhas."

De seguida pronuncia-se sobre o PREC (quase) permanente em que vivemos, e que se tem acentuado nos últimos meses:

"No modelo que existe temos uma economia sequestrada por uma reduzidíssima minoria eleitoral, que à custa de membros das suas cúpulas infiltrados em organizações laborais conseguem paralisar o país, contra a vontade do país. E tudo isto com menos de 7% do voto nas últimas eleições gerais e números residuais nas autárquicas."

Escreve sobre os designados "direitos adquiridos":

"Convenceram-nos que era possível reformarmo-nos aos 50 anos e arranjar um gancho em qualquer sítio e depois voltar a ter outra reforma. Como se fossemos todos funcionários do Banco de Portugal. O surpreendente é que ainda não compreenderam. Não perceberam que já não há dinheiro. E que quando se pede dinheiro emprestado hoje, para pagar as dívidas de ontem, estamos a roubar a geração de amanhã e de depois de amanhã."

Por fim, relaciona problemas que temos hoje com o tipo de desenvolvimento económico que prosseguimos nos últimos anos:

"Não compreenderam que o desemprego jovem que hoje nos aflige tem as raízes recentes nas fundações dos Estádios do Euro. Que os aumentos das taxas moderadoras estão a pagar a distribuição amalucada de ontem dos Magalhães. Que perdemos vencimentos para pagar os estudos de aeroportos que não vão existir e a construir apeadeiros e aterros para comboios ultra-rápidos em que ninguém vai viajar"

Daniel Bessa é mais caustico na análise que faz ao modelo de desenvolvimento económico que seguimos nos últimos anos ao afirmar (reportagem do Ionline), hoje num seminário em Guimarães, em tom de provocação e a propósito do sector da construção, que oferecia do "próprio bolso" mil euros ao Estado para "lançar uma grande obra do regime" se essa fosse a demolição dos estádios de Aveiro, Leiria e Faro.

"Se a obra deste regime for essa, que seria extremamente meritória, estou disposto a dar mais", adiantou, explicando que "estimularia a construção" e que "as empresas que fizeram estas obras ficariam agora felizes pela possibilidade de as deitarem abaixo".
No entanto, rematou, "é uma metáfora triste, ilustra que foram feitos erros enormes"

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Os Verdes e o Carnaval

Como estamos em maré de Carnaval, o partido "Os Verdes" (partido que, aparentemente, existe para que o PCP possa concorrer às eleições como CDU) entregou um projecto de lei propondo a consagração do dia de Carnaval como feriado nacional.
É uma ideia interessante e divertida que, provavelmente, irá animar (mais uma vez) a sessão parlamentar em que o tema se discutir.

Na mesma onda, o sindicato dos maquinistas mantém a greve às horas extraordinárias decretada até ao final do mês de Fevereiro e que afecta a circulação de comboios durante o dia de Carnaval. Esta greve foi decretada pelo sindicato para contestar o facto da empresa ter instaurado processos disciplinares a maquinistas que não cumpriram a lei dos serviços mínimos. Enfim, a lei é justa para fazer greve mas já não o é para assegurar os serviços mínimos que permitem a outros cidadãos (com salários e regalias bem menores que os maquinistas da CP) usufruírem do seu direito de se deslocarem para o seu local de trabalho.
A administração da CP parece imbuída do mesmo espírito carnavalesco porque, até agora, nada se sabe quanto ao desfecho destes processos disciplinares.

O que não é nada divertido e é até muito triste é o facto das empresas públicas (incluindo a CP) terem registado um aumento dos prejuízos em 2011.
Os resultados destas empresas em 2011 revelam uma derrapagem nos prejuízos (38,5%), atingindo os 1,5 mil milhões de euros, aos quais se somam outros 357,5 milhões de perdas de hospitais públicos. E do lado dos custos, apesar de ter sido imposto um corte de 15% (pelo anterior ministro das Finanças, Teixeira dos Santos), as despesas operacionais aumentaram para mais de 3,7 mil milhões.

A incapacidade do governo e da gestão de topo em implementar reduções de custos com as quais se comprometeram é absolutamente devastadora para a economia. As empresas públicas continuam, assim, a consumir o financiamento bancário disponível reduzindo drasticamente o financiamento das PMEs do que resulta impossibilidade de manter as empresas em actividade e, claro, mais desemprego.

Mas, claro, nada que preocupe "Os Verdes".



sábado, 4 de fevereiro de 2012

Direitos adquiridos

O presidente do supremo tribunal no âmbito de mais uma abertura cerimonial e inócua do ano judicial veio prosseguir o discurso cavaquista do "desgraçadinho" mas, desta vez, utilizando argumentos manipuladores para defender causa própria.
Estes últimos 30 anos produziram uma elite política que vive no "condomínio fechado" do Estado em Lisboa. Esta elite circula entre os corredores dos ministérios, Assembleia da República, grandes escritórios de advogados, universidades, institutos públicos e tribunais. De vez em quando, vem ao Norte (em comitiva) visitar empresas e municípios onde ouve o que quer ouvir e rapidamente regressa ao "condomínio fechado" onde, nos últimos 30 anos, tem garantido o salário e pensão ao dia 23 ou 24 de cada mês.
Esta elite tornou-se egocêntrica...acha que a economia privada existe para manter as suas funções, que serão, no seu pensamento, absolutamente decisivas para o funcionamento da democracia.

À conta, em parte, destes "direitos adquiridos" o Estado gasta já 50% da riqueza produzida. Nada que assuste esta elite. Pode-se sempre continuar a aumentar impostos...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Maria Antonieta

Atribui-se a Maria Antonieta uma célebre frase proferida  no início da revolução francesa, referindo-se ao povo faminto que se encontrava às portas do Palácio de Versalhes: "Se o povo está com fome e não tem pão que coma brioche".

Esta frase terá sido proferida, não por insensibilidade, mas porque Maria Antonieta viveria num mundo fechado, alheada da realidade francesa.

Cavaco Silva, e muitos dos que nos governam, fazem-me lembrar Maria Antonieta. Não são insensíveis. Estão é completamente desfasados da realidade.
Cavaco Silva passou os últimos 25 a 30 anos entre o ensino universitário e a política alternando entre os corredores da Universidade pública e os da governação. O salário (e pensões) sempre "cairam" sem problema na sua conta bancária.

Enfim, Cavaco Silva e muitos dos políticos que conhecemos, têm vivido no "condomínio fechado" do Estado e acham que a economia "real" existe para sustentar o Estado.


sábado, 17 de dezembro de 2011

Greve dos pilotos da TAP

A greve dos pilotos da TAP foi desmarcada. Aparentemente, é uma boa notícia mas devemos desconfiar.
Há alguns anos atrás (em 1999) foi impedida uma das muitas greves desta classe profissional, tendo sido prometido aos pilotos desta companhia entre 10 a 20% do capital da empresa em futura privatização.

O ministro em causa foi João Cravinho (o 1º ministro era António Guterres) e, provavelmente, fez, nesse momento, um "brilharete" político com um acordo que, verificamos agora, ultrapassa os limites da razoabilidade para não dizer que é, absolutamente, ruinoso.
Tal como noutras circunstâncias, sacrificou-se o médio/longo prazo pelo sossego imediato e pelos votos nas eleições seguintes.

Agora, em 2011, nova greve dos pilotos foi adiada por intervenção do governo. Não há comentários, nem dos partidos do governo nem dos partidos da oposição.
Quanto vai custar aos contribuintes esta intervenção do governo? Atendendo aos antecedentes com a TAP e, especificamente, com esta classe profissional espero que exista transparência em todas as negociações.
Eu espero, mas claro, bem posso esperar sentado!