1. OE2018 - Privados perdem possibilidade de receber subsídios de Natal e de férias em duodécimos
2. Governo muda sede do Infarmed para o Porto em 2019 - A entidade com 350 funcionários e orçamento de 60 milhões de euros vai instalar-se no Porto, mas manterá uma delegação "importante" em Lisboa. Daqui a três anos, pelo menos 70% dos recursos vão estar na cidade Invicta.
Existirá algum tipo de recordação do 25 de novembro de 1975 na Assembleia da República?
Esperemos que, por uma questão de sobrevivência política no poder, o PS não se esqueça dos seus valores históricos e do legado de Mário Soares.
Até hoje, o governo mais contestado, nos quase 40 anos de democracia, foi o governo do designado Bloco Central tendo Mário Soares como 1º ministro (1983 a 1985).
Eram frequentes as manifestações em várias cidades do país a contestar os salários em atraso e a perda de poder de compra. A inflação atingiu, nesse período valores muito elevados: 25,5 % em 1983 e 29,3 % em 1984.
Com a desvalorização cambial e a taxa de inflação elevada, os salários reais caíram mais de 20%, naquilo a que podemos designar como um significativo empobrecimento da generalidade dos portugueses. Foi o período de encerramento de fábricas e de salários em atraso em todo o país.
Apesar da contestação, frequentemente ideológica e com fins políticos, liderada pelo PCP e sindicatos da CGTP com ameaças que quase se concretizaram em 1985 na Marinha Grande (quando Mário Soares se candidatou à presidência da república), o governo não se demitiu e Mário Soares levou até ao fim o programa de recuperação do país concretizado com o apoio do FMI.
Mário Soares fez bem...e os portugueses agradeceram (elegeram Mário Soares como Presidente da República em 1985) e agradecem a convicção e firmeza demonstradas num período difícil.
Nunca sabemos se o rumo que seguimos é o mais adequado e se outra solução não poderia ser mais eficaz mas não podemos esquecer que os deputados que sustentam um governo são eleitos para mandatos de 4 anos e que quem votou em Bragança, Vila Real, Évora ou Portimão tem legitimidade para esperar que Presidente da República, parlamento e governo funcionem, para além das manifestações e pressões dos corredores privilegiados de Lisboa!
Não percebi muito bem o manifesto subscrito por Mário Soares (pessoa que muito admiro).
O manifesto em si é completamente ineficaz porque não aponta uma única solução (válida ou não) ou rumo em concreto. Estou de acordo com a indignação geral pelo momento que vivemos. Estamos todos indignados, uns com a situação actual, outros com os 20 ou 30 anos que nos conduziram até aqui.
Dizer, por exemplo, que: "Temos de denunciar a imposição da política de privatizações a efectuar num calendário adverso e que não percebe que certas empresas públicas têm uma importância estratégica fundamental para a soberania"
Não seria expectável uma linguagem mais clara? Quer dizer, assim ficamos sem saber quais as empresas públicas com uma "importância estratégica fundamental" (que não devem ser privatizadas) e quais as outras que não estão nestas condições.
Comparar manifestações em Lisboa com as manifestações do Cairo ou Tripoli parece-me surreal. Será possível comparar manifestações que contestam regimes autoritários, sem eleições há vários anos, com manifestações num país com um governo eleito democraticamente há 4 meses?
De Mário Soares esperaria mais substância num manifesto. Fazer coro com a indignação não me parece ser uma atitude responsável, neste momento. Apontar rumos vagos e, até, completamente fora do alcance do governo português, é alimentar puras ilusões. E puras ilusões não resolvem os nossos problemas.
Mário Soares é uma figura de referência e, na minha perspectiva, a figura política portuguesa mais relevante da 2ª metade do século XX. Pela sua acção e decisões (quando esteve no poder), de certa forma, definiu o modo de vida de várias gerações de portugueses. Como nasci em 1964, a sua "presença" na minha adolescência e crescimento até à idade adulta foi quase permanente.
Relevo, aqui, três momentos que considero marcantes na sua vida política:
- 1974 a 1976 no combate ao PREC, assegurando a introdução de um sistema político democrático em Portugal;
- Em 1985, como primeiro ministro, ao liderar e assinar a entrada de Portugal na CEE;
- Em 1986, ao tornar-se o 1º Presidente da República civil após o 25 de Abril contribuindo, de forma decisiva, para a consolidação de um sistema democrático sem tutela militar.
Li e reli a entrevista de Mário Soares concedida à Revista Única (do Expresso). Mário Soares, apesar ou, provavelmente, por ter 87 anos deve continuar a ser ouvido. Mantém a sua crença no designado socialismo democrático e no federalismo europeu. Da entrevista, retiro duas ideias principais:
1. A Europa deve caminhar para o federalismo, ou seja, para a existência de um governo europeu dotado de meios financeiros próprios;
2. O capitalismo é o modelo que temos e não existe outro para o substituir. Mas precisamos que tenha princípios, seja ético.