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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

António Costa em estratégia...so far so good?

"Para memória futura e para quem isso possa vir a interessar, podemos situar na madrugada da última sexta-feira para sábado o momento em que António Costa desistiu de governar, desistiu de seguir o programa político que propôs aos portugueses e aceitou passar de primeiro-ministro a simples equilibrista político”.

“Nessa madrugada, ao desautorizar pessoalmente os ministros das Finanças e da Educação, obrigando-os a ceder mais uma vez à FENPROF, António Costa abdicou de qualquer ideia de futuro sustentável que possa ter para o país, substituindo-a por uma simples estratégia de sobrevivência no poder, pronto a ceder, passo a passo, ponto por ponto, milhão por milhão, tudo o que os seus insaciáveis aliados de Governo vão exigir, além de tudo o que já obtiveram.”

António Costa deixou-se armadilhar pelo absurdo paradoxo de, em lugar de tirar partido da posição de força em que saiu das eleições, acabar antes a servir de boia de salvação aos seus parceiros, deixando-os continuar a vender um saco de promessas e de ilusões sem fim e a fantasiosa versão de que todas as melhorias económicas se devem a eles e às suas imposições”.

E mais: “Quando se rendeu à FENPROF, António Costa mostrou não ter aprendido nada com o que já ficou para trás: na política, como na vida, quando se cede uma vez a uma chantagem, vai ceder-se para sempre.”


Miguel Sousa Tavares em http://expresso.sapo.pt/politica/2017-11-25-Miguel-Sousa-Tavares-Antonio-Costa-desistiu-de-governar.-Rendeu-se-a-FENPROF

domingo, 25 de outubro de 2015

Recreio...parece que sim...mas, provavelmente, vai sair caro...


"No meio deste limbo governativo, alguns sectores do Estado das Corporações, que é nosso, vão, pela calada, obtendo novos privilégios: os trabalhadores das autarquias vêem o seu horário laboral descer para as 35 horas e os polícias conquistam o direito de se reformarem aos 55 anos, depois de 36 nessa missão de alto risco. O Estado é generoso: paga melhor, nunca despede, não exige nenhuma avaliação de desempenho, pagando o mesmo aos bons e aos maus, contenta-se com menos trabalho e reforma mais cedo. O facto de tudo isto não ser sustentável senão à custa de esmifrar os que não vivem sob a sua proteção é apenas um pormenor. O pormenor que nos arruína. E que, uma vez mais, seja qual for o governo, vai continuar por resolver."
Miguel Sousa Tavares in Expresso de 24 de outubro de 2015

"Depois de terem espremido tudo o que puderem de António Costa, ou seja, do Estado, ou seja, do contribuinte, onde ficarão o Bloco e o PC? Deixaram pelo caminho as causas e os símbolos que os distinguiam (a hostilidade à NATO e à Europa) a troco de alguns ridículos remendos na interminável miséria do país. Fizeram grandes discursos para desabafar. Insultaram o Presidente e a direita. Espalharam um bom saco de calúnias. E o resultado? O resultado não foi nenhuma espécie de libertação e eles, como os portugueses, continuarão presos ao mecanismo que tanto odeiam. A “esquerda” acabará por pagar este recreio que o dr. Costa inventou. Saíram das suas cavernas, respiraram fundo e conseguiram mesmo uma vaga impressão de poder, que de certeza os regalou muito."
Vasco Pulido Valente in Público de 25 de outubro de 2015

domingo, 17 de março de 2013

O maior erro do governo foi não começar pelos 4 mil milhões...

"...Ao contrário da fé liberal que lhe é atribuída - e que, de facto, se manifesta de muitas maneiras - em matéria fiscal o Governo tem-se dedicado a fazer exactamente o oposto do que os liberais pregam há milénios: roubar a economia para sustentar o Estado, num processo suicida de empobrecimento da classe média e liquidação do tecido produtivo das PMEs...
Muita gente desconhece que hoje há quem viva apenas do seu trabalho e pague cerca de 70% de impostos, entre o IRS, a segurança social, o IMI e taxas camarárias - sem contar com os impostos indirectos como o IVA.
Se o Estado continuar todos os anos a gastar substancialmente mais do que tem, somando dívida à dívida, só lhe resta continuar a subir a carga fiscal...
Claro que se nos caísse do céu um Plano Marshall, ou se alguém se dispusesse a financiar-nos as tais políticas de crescimento de que fala o PS, tudo poderia ser diferente - mas apenas episodicamente, porque o problema de fundo manter-se-ia por resolver e regressaria depois.
O que eu mais cobro a este Governo, entre tantos erros de arrogância e incompetência, é ter tido uma oportunidade e 78.000 milhões para iniciar o processo inadiável de mudança e não o ter feito."

Miguel Sousa Tavares - jornal "Expresso" de 16 de Março de 2013

domingo, 27 de novembro de 2011

Miguel Sousa Tavares

Leio, normalmente com atenção, o comentário semanal de Miguel Sousa Tavares no jornal Expresso. Esta semana, a cónica de MST chama-se "O fim de uma era". Retiro algumas frases do texto que vão de encontro à minha perspectiva da actual situação:

"Vejo o direito à greve como coisa essencial numa democracia e, por isso mesmo, contesto a sua banalização, sobretudo quando os objectivos concretos da greve não se entendem, como foi agora o caso."

"Trabalhei dois anos para o Estado, como funcionário público, e saí porque era demasiado novo para me conformar com o que achei ser a adaptação perfeita da Lei de Lavoisier ao trabalho: naquele serviço, nada se criava, nada se perdia, tudo se arrastava e repetia."

"Às centrais sindicais já não basta colocarem-se na posição confortável de quem apenas reivindica, sem ter de fazer contas nem procurar respostas para problemas novos"

"É evidente que países como Portugal não poderão nunca nem é legítimo exigir-lhes que resolvam em três anos um desiquilíbrio acumulado ao longo de trinta e que tratem de empobrecer alegremente para depois pagarem as dívidas com novas dívidas e mais austeridade. Há aqui alguém que apostou e está a ganhar com a ruína dos pobres e a liquidação do euro e da própria ideia da Europa"

"O mundo confortável que nos prometeram e em que quisemos acreditar acabou. Tentar ressuscitá-lo é inútil, só apressará a desgraça final. A tarefa da esquerda é salvar o que ainda tem préstimo e reinventar um caminho novo num mundo novo e infinitamente mais complexo e atribulado."