A nomeação de Manuel Frexes (presidente da Câmara de Fundão) para a empresa Águas de Portugal é peculiar.
Em primeiro lugar, não se consegue perceber porque se convida um autarca no activo que deveria cumprir o mandato até ao seu final, com base no compromisso eleitoral implícito no momento em que se candidatou. Não existe em Portugal mais ninguém com qualificação e competência para este cargo?
Em segundo lugar, de acordo com notícias não desmentidas, a câmara de Fundão tem um diferendo com a empresa Águas de Portugal do qual resulta uma dívida reclamada por esta empresa de 7,5 milhões de euros.
É verdade que esta situação (deixar acumular uma dívida deste montante) não é nada abonatória para a gestão actual da Águas de Portugal mas também não se pode considerar um cartão de recomendação muito favorável para o presidente da câmara de Fundão.
Aparentemente, a ministra Assunção Cristas considera estes factos normais. Enfim, uma espécie de convite aos autarcas para que as câmaras municipais deixem de pagar água e luz. Poderá ser que assim se tornem os militantes indicados para cargos de gestão, supervisão e assessoria da Águas de Portugal e EDP.
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sábado, 14 de janeiro de 2012
Nomeações na EDP
As nomeações de militantes do PSD e CDS para o conselho de supervisão da EDP vêm, aparentemente, confirmar um fenómeno estatístico estranho que se verifica há alguns anos em Portugal.
Os quadros técnicos com qualificações e competências para cargos de gestão e de assessoria em empresas públicas e similares estão concentrados nos partidos políticos (principalmente PS e PSD). Quer dizer, numa amostra de população não militante nestes partidos, a proporção de pessoas com perfil adequado será inferior a 0,0001% enquanto que, nestes partidos, é de 100%.
Um outro aspecto interessante tem a ver com os argumentos utilizados pelo 1º ministro ("as nomeações não são responsabilidade do governo") e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros ("as pessoas não podem ser prejudicadas por serem militantes de um partido" - nós sabemos como os miltantes destes partidos têm sido prejudicados ao longo dos últimos anos ...
É que estes argumentos são exactamente iguais aos que José Sócrates utilizava quando comentava nomeações similares de colegas de partido para cargos públicos e que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, então, criticavam ferozmente.
Como teremos muitos autarcas não elegíveis nas próximas eleições, temo que mais nomeações similares nos esperem...para aproveitar as competências de gestão que estão seguramente concentradas nestes "gestores" autárquicos. Enfim, mais um fenómeno estatístico peculiar em Portugal.
Os quadros técnicos com qualificações e competências para cargos de gestão e de assessoria em empresas públicas e similares estão concentrados nos partidos políticos (principalmente PS e PSD). Quer dizer, numa amostra de população não militante nestes partidos, a proporção de pessoas com perfil adequado será inferior a 0,0001% enquanto que, nestes partidos, é de 100%.
Um outro aspecto interessante tem a ver com os argumentos utilizados pelo 1º ministro ("as nomeações não são responsabilidade do governo") e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros ("as pessoas não podem ser prejudicadas por serem militantes de um partido" - nós sabemos como os miltantes destes partidos têm sido prejudicados ao longo dos últimos anos ...
É que estes argumentos são exactamente iguais aos que José Sócrates utilizava quando comentava nomeações similares de colegas de partido para cargos públicos e que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, então, criticavam ferozmente.
Como teremos muitos autarcas não elegíveis nas próximas eleições, temo que mais nomeações similares nos esperem...para aproveitar as competências de gestão que estão seguramente concentradas nestes "gestores" autárquicos. Enfim, mais um fenómeno estatístico peculiar em Portugal.
domingo, 1 de janeiro de 2012
Previsões para 2012
É da tradição fazer previsões
para o ano que se inicia. Seguem-se algumas previsões com a promessa de efetuar
uma análise a eventuais desvios (colossais ou não) no final de cada trimestre.
Vitor Gaspar – vai continuar a
ser ministro das Finanças. As suas conferências de imprensa vão continuar a ser
demoradas. Vai justificar os desvios orçamentais mais vezes do que eu farei em
relação a estas previsões. Vai utilizar muitas vezes as expressões “mais”, “austeridade”,
“impostos” de modo sequencial.
Passos Coelho – vai continuar 1º
ministro mas vai descobrir que, afinal, tem menos poder que os presidentes dos
sindicatos dos maquinistas, médicos e pilotos e de outras corporações. Vai
representar Portugal no próximo congresso do PC chinês em substituição de
Jerónimo de Sousa.
Paulo Futre – nomeado para
Secretário de Estado dos Assuntos e Negócios com a China.
Cavaco Silva – vai manter o seu
perfil de funcionário público, sempre preocupado com a equidade fiscal,
nomeadamente com o corte nas reformas de ex titulares de cargos políticos,
magistrados, pilotos, médicos e professores. Vai reduzir custos na presidência
da república diminuindo o nº de elementos das comitivas presidenciais (de 30
para 29).
António José Seguro – manterá o
nome e o cargo de deputado. Continuará a dar entrevistas e a fazer discursos
como secretário geral do PS.
PS – Para muitos, incluindo a
generalidade dos deputados do seu grupo parlamentar, vai querer dizer Partido
de Sócrates. Para bastantes continuará a querer dizer “post scriptum”. Para
poucos quererá dizer Partido Socialista.
Jerónimo de Sousa – vai organizar
uma visita de estudo de todo o grupo parlamentar comunista à Coreia do Norte
para introduzir um novo discurso e práticas no PCP. Após regressarem, o
discurso e práticas do PCP vão-se manter (como sempre).
Francisco Louçã – vai-se manter
no Bloco de Esquerda como coordenador. Vai seguir estratégia de fusão com
Movimentos de indignados, hackers e o Movimento Novo Rumo (de Mário Soares e Joana Amaral Dias) de modo a ganhar dimensão
e algum protagonismo político.
PP – partido de Portas ou partido
Popular, a dúvida vai continuar durante 2012. À 3ª feira, 5ª feira e sábado
apoia o governo PSD / PP, à 2ª feira, 4ª feira e 6ª feira está na oposição.
Descanso ao domingo e feriados (só nos religiosos).
São apenas previsões. Profecias só em http://amanhacinzento.blogspot.com/
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Novo modelo de gestão na CGD
O modelo de gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi alterado tendo sido aumentado para 11 o nº de elementos do seu Conselho de Administração de modo a que fosse possível adoptar o designado modelo de gestão anglo-saxónico (explicação do ministro das Finanças). Foram nomeados vários militantes do PSD e/ou pessoas, assumidamente, próximas do partido do governo. Nova explicação do ministro para dizer que são pessoas competentes e que "preenchem os melhores critérios de excelência profissional".
Dois comentários:
1. Muito bem, foi adoptado um novo modelo de gestão. Mas porquê mais elementos na Administração? É verdade que foi extinto o Conselho Fiscal mas, mesmo assim, há um acréscimo de 1 elemento. Seguramente seria possível adoptar este modelo sem aumentar o nº de elementos do CA. Que vantagens concretas existem para os stakeholders (partes interessadas)? Qual o acréscimo de custos suportado pelo banco e, portanto, indirectamente pelos seus clientes e accionistas? Até agora não há respostas técnicas nem do ministro nem da CGD.
2. O argumento utilizado pelo ministro, e que tem sido profusamente utilizado por ministros e autarcas ao longo dos últimos anos para nomeações de cargos políticos, é do tipo "então pelo facto de ser amigo político não tem o direito de ser nomeado se é competente" é um pouco falacioso e faz-me lembrar uma história que se passou com D. Pedro V. Retiro da excelente biografia de D. Pedro V escrita por Maria Filomena Mónica:
A 29 de Setembro de 1859, (D. Pedro V) queixava-se ao duque da Terceira do facto de o Ministro da Marinha, Adriano Ferreri, estar a tentar usar a sua influência para promover um irmão a tenente-coronel: "Sei que nisto pensamos muito diferentemente eu e o Ministro da Marinha. Eu penso que a parentes só o que for de justiça; ele pensa que a parente também o que não for injustiça"
Dois comentários:
1. Muito bem, foi adoptado um novo modelo de gestão. Mas porquê mais elementos na Administração? É verdade que foi extinto o Conselho Fiscal mas, mesmo assim, há um acréscimo de 1 elemento. Seguramente seria possível adoptar este modelo sem aumentar o nº de elementos do CA. Que vantagens concretas existem para os stakeholders (partes interessadas)? Qual o acréscimo de custos suportado pelo banco e, portanto, indirectamente pelos seus clientes e accionistas? Até agora não há respostas técnicas nem do ministro nem da CGD.
2. O argumento utilizado pelo ministro, e que tem sido profusamente utilizado por ministros e autarcas ao longo dos últimos anos para nomeações de cargos políticos, é do tipo "então pelo facto de ser amigo político não tem o direito de ser nomeado se é competente" é um pouco falacioso e faz-me lembrar uma história que se passou com D. Pedro V. Retiro da excelente biografia de D. Pedro V escrita por Maria Filomena Mónica:
A 29 de Setembro de 1859, (D. Pedro V) queixava-se ao duque da Terceira do facto de o Ministro da Marinha, Adriano Ferreri, estar a tentar usar a sua influência para promover um irmão a tenente-coronel: "Sei que nisto pensamos muito diferentemente eu e o Ministro da Marinha. Eu penso que a parentes só o que for de justiça; ele pensa que a parente também o que não for injustiça"
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