Mário Crespo, no final do seu programa da SIC Notícias, tem referido, com alguma frequência, que a RTP custa aos contribuintes 1 milhão de euros por dia e hoje suportou esta afirmação com valores retirados dos Relatórios de Atividade da empresa.
Se lermos o Relatório de Sustentabilidade do grupo RTP referente ao ano de 2011 constatamos que a empresa apresenta os seguintes proveitos principais:
Apoio recebido do Estado (Indemnização compensatória)
2010: 121 milhões de euros
2011: 89 milhões de euros
Contribuição da Taxa Audiovisual (paga através da fatura da eletricidade)
2010 - cerca de 100 milhões de euros
2011 - cerca de 140 milhões de euros
Ou seja, no total, a RTP recebeu do cidadão contribuinte, directa ou indirectamente:
2010 - 221 milhões de euros
2011 - 229 milhões de euros
A estes valores teremos de adicionar aumentos de capital efetuados pelo Estado ao longo dos últimos anos que implicaram, como é óbvio, mais transferência de montantes elevados do orçamento do Estado. Em 2012 foi efetuada uma transferência para aumento de capital no valor de 348,3 milhões de euros.
Mesmo assim, a empresa continua com capitais próprios negativos e um défice transitado (acumulado ao longo de exercícios anteriores) de 1,7 mil milhões de euros.
Com este quadro, seria de supôr que a gestão da empresa fosse rigorosa com elevada focalização na racionalização das principais rubricas de custos. Pura ilusão. No mesmo Relatório de Sustentabilidade são detalhados os principais custos e a sua evolução nos 2 últimos anos:
Salários e benefícios dos colaboradores
2010 - 102 milhões de euros
2011 - 107 milhões de euros (ou seja, um aumento de cerca de 5%)
Outros custos operacionais
2010 - 186 milhões de euros
2011 - 198 milhões de euros (ou seja, um aumento de cerca de 6%)
Os factos são, na minha perspetiva, avassaladores pelo que me escuso de mais comentários. Apetece-me dizer como Mário Crespo: "passou mais um dia em que a RTP nos custa 1 milhão de euros".
Nota final: tenho todo o respeito pelos profissionais da RTP. Mas perante esta situação não serão inteligentes se não se colocarem do lado da procura efetiva de uma solução.
Fontes:
http://www.ionline.pt/portugal/rtp-guilherme-costa-pede-mais-80-milhoes-indemnizacoes-compensatorias-proximo-ano
(http://www.rtp.pt/wportal/grupo/governodasociedade/rs.php)
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terça-feira, 18 de setembro de 2012
sábado, 1 de setembro de 2012
RTP
Estou quase como Maria Filomena Mónica na crónica de hoje do Expresso: "vou mandar selar o contador da EDP, após o que passarei a iluminar a minha casa à luz de velas".
Na verdade, a discussão sobre a RTP entre "ideologias", nomeadamente entre PS e PSD é uma espécie de disputa sobre como utilizar os 150 milhões de euros "sacados" aos portugueses na designada taxa audiovisual. É sempre divertido discutir como gastar o dinheiro dos outros e, no entretanto, os dois partidos do "centrão" tentam mostrar que são diferentes...
O que é um facto, é que não concordo nada em ser obrigado a pagar uma taxa audiovisual e, ainda, a contribuir com os meus impostos para manter, por exemplo, a RTP 1 que presta um serviço similar à TVI e SIC (que não me cobram nada)! Convém recordar que foi o anterior governo que, de forma absolutamente arbitrária, aumentou o valor da taxa audiovisual em 30 %.
O que ganham verdadeiramente os cidadãos e a sociedade com cada uma das soluções em discussão?
Por favor, coloquem como um dos critérios de decisão, "encontrar solução que reduza significativamente valor da taxa audiovisual, se possível, para zero".
É que, de soluções em que são os cidadãos a pagar para satisfazer ideologias ou interesses indefinidos, já estamos cheios!
Na verdade, a discussão sobre a RTP entre "ideologias", nomeadamente entre PS e PSD é uma espécie de disputa sobre como utilizar os 150 milhões de euros "sacados" aos portugueses na designada taxa audiovisual. É sempre divertido discutir como gastar o dinheiro dos outros e, no entretanto, os dois partidos do "centrão" tentam mostrar que são diferentes...
O que é um facto, é que não concordo nada em ser obrigado a pagar uma taxa audiovisual e, ainda, a contribuir com os meus impostos para manter, por exemplo, a RTP 1 que presta um serviço similar à TVI e SIC (que não me cobram nada)! Convém recordar que foi o anterior governo que, de forma absolutamente arbitrária, aumentou o valor da taxa audiovisual em 30 %.
O que ganham verdadeiramente os cidadãos e a sociedade com cada uma das soluções em discussão?
Por favor, coloquem como um dos critérios de decisão, "encontrar solução que reduza significativamente valor da taxa audiovisual, se possível, para zero".
É que, de soluções em que são os cidadãos a pagar para satisfazer ideologias ou interesses indefinidos, já estamos cheios!
sábado, 2 de julho de 2011
RTP e Estaleiro de Viana do Castelo
As decisões tomadas futuramente pelo governo de Passos Coelho em relação à privatização ou não da RTP e reestruturação ou não dos Estaleiros de Viana do Castelo serão decisivas para mostrar a sua atitude perante a despesa do Estado.
RTP: em 2011 o Estado deverá pagar cerca de 120 milhões de euros em compensações indemnizatórias a que se deve somar o valor pago pelos contribuintes através da taxa audiovisual (devemos recordar que o anterior governo aumentou esta taxa cerca de 30%).
Estaleiros de Viana do Castelo: empresa pública que acumula resultados negativos (em 2010 resultado líquido negativo de cerca de 40 milhões de euros) com capitais próprios negativos de mais de 70 milhões de euros.
A questão que se coloca é a seguinte: como é possível pensar em manter estas situações sem qualquer tipo de actuação (reestruturação, privatização) e, em simultâneo "sacar" aos contribuintes um imposto extraordinário de 50% do subsídio de Natal (50% sobre a diferença para o valor do salário mínimo nacional)?
O que é um facto é que não podemos ter sol na eira e chuva no nabal...se não queremos ser continuamente assaltados pelo Estado (como tem acontecido)!
RTP: em 2011 o Estado deverá pagar cerca de 120 milhões de euros em compensações indemnizatórias a que se deve somar o valor pago pelos contribuintes através da taxa audiovisual (devemos recordar que o anterior governo aumentou esta taxa cerca de 30%).
Estaleiros de Viana do Castelo: empresa pública que acumula resultados negativos (em 2010 resultado líquido negativo de cerca de 40 milhões de euros) com capitais próprios negativos de mais de 70 milhões de euros.
A questão que se coloca é a seguinte: como é possível pensar em manter estas situações sem qualquer tipo de actuação (reestruturação, privatização) e, em simultâneo "sacar" aos contribuintes um imposto extraordinário de 50% do subsídio de Natal (50% sobre a diferença para o valor do salário mínimo nacional)?
O que é um facto é que não podemos ter sol na eira e chuva no nabal...se não queremos ser continuamente assaltados pelo Estado (como tem acontecido)!
sábado, 11 de junho de 2011
Será que muda o essencial?
A vitória do PSD é, à partida, a vitória da mudança. A questão que se pode colocar é esta: mas vai mudar o essencial ou apenas o acessório? Explico...
No que diz respeito ao sistema eleitoral será de esperar que haja mudança. O nº de deputados vai diminuir se atendermos ao prometido na campanha por PSD (181 deputados) e CDS (115 deputados). É relevante fazer-se esta mudança? Sim...mas é acessória se o sistema de escolha dos deputados continuar, basicamente, na "mão" dos aparelhos partidários. Quer dizer, muda-se o acessório (nº de deputados) mas mantém-se o essencial (forma de eleição dos deputados).
E quanto à despesa do Estado, Administração local e empresas públicas?
Vamos ter uma efectiva redução dos custos do Estado, Administração local e empresas públicas ou vamos ter soluções em que a estrutura, cultura e práticas destas empresas se mantêm inalteradas e os custos das ineficiências são transferidos para os cidadãos?
As dúvidas da coligação PSD / CDS em relação à RTP não auguram nada de positivo. Vamos ter algum tipo de intervenção nesta empresa que elimine gradualmente as suas ineficiências (já que a privatização parece estar fora de causa) ou a compensação indemnizatória do Estado vai ser transferida para a taxa do audiovisual paga pelo cidadão (solução à PS)?
No que diz respeito ao sistema eleitoral será de esperar que haja mudança. O nº de deputados vai diminuir se atendermos ao prometido na campanha por PSD (181 deputados) e CDS (115 deputados). É relevante fazer-se esta mudança? Sim...mas é acessória se o sistema de escolha dos deputados continuar, basicamente, na "mão" dos aparelhos partidários. Quer dizer, muda-se o acessório (nº de deputados) mas mantém-se o essencial (forma de eleição dos deputados).
E quanto à despesa do Estado, Administração local e empresas públicas?
Vamos ter uma efectiva redução dos custos do Estado, Administração local e empresas públicas ou vamos ter soluções em que a estrutura, cultura e práticas destas empresas se mantêm inalteradas e os custos das ineficiências são transferidos para os cidadãos?
As dúvidas da coligação PSD / CDS em relação à RTP não auguram nada de positivo. Vamos ter algum tipo de intervenção nesta empresa que elimine gradualmente as suas ineficiências (já que a privatização parece estar fora de causa) ou a compensação indemnizatória do Estado vai ser transferida para a taxa do audiovisual paga pelo cidadão (solução à PS)?
domingo, 17 de outubro de 2010
Ditadura com aparência democrática
Leio hoje num jornal que o orçamento do Estado prevê uma redução da indemnização compensatória à RTP de cerca de 33 milhões de euros para o ano de 2011. Assim, os cofres do Estado (que somos todos nós) irão transferir para a RTP ao abrigo da dita indemnização compensatória 88 milhões de euros. Em primeiro lugar, não sei o que é isto da indemnização compensatória. Mesmo 88 milhões de euros é uma autêntica exorbitância. Deveria ser zero. Mas, quando comecei a ler a notícia pensei para mim mesmo: "bom, do mal o menos - há uma redução, significa que a RTP terá de efectuar um esforço de racionalização dos seus custos".
Mas, continuando a ler a notícia fico estupefacto: "governo decidiu aumentar a taxa de audiovisual em 29,3 %, ou seja, mais 33 milhões de euros de receita por esta via". Fantástico, o dito ICAC (Instituto Criativo para Sacar Receitas para o Estado) encontrou mais uma via para reduzir os custos do Estado: mantém-se tudo na mesma no "regabofe" das contas das Entidades Públicas mas quem paga não é o Estado, cheio de dinheiro dos impostos, mas sim os contribuintes (cada vez mais pobres) já muito roubados por esse mesmo Estado. Ou seja, pago duas vezes pela existência de orgãos de comunicação social que servem, basicamente, para promover (à minha custa) as políticas iníquas do Estado. O (des)governo ganha duas vezes: mantém um organismo que pode manipular em proveito próprio e onde pode continuar a sustentar o clientelismo político!
Antes do 25 de Abril tinhamos uma ditadura e sabiamos que assim era. Alguém mandava e tinhamos de obedecer. Actualmente, estamos subjugados por uma ditadura democrática que se esconde ao abrigo de leis ditadas pelo núcleo duro do partido no poder!
Mas, continuando a ler a notícia fico estupefacto: "governo decidiu aumentar a taxa de audiovisual em 29,3 %, ou seja, mais 33 milhões de euros de receita por esta via". Fantástico, o dito ICAC (Instituto Criativo para Sacar Receitas para o Estado) encontrou mais uma via para reduzir os custos do Estado: mantém-se tudo na mesma no "regabofe" das contas das Entidades Públicas mas quem paga não é o Estado, cheio de dinheiro dos impostos, mas sim os contribuintes (cada vez mais pobres) já muito roubados por esse mesmo Estado. Ou seja, pago duas vezes pela existência de orgãos de comunicação social que servem, basicamente, para promover (à minha custa) as políticas iníquas do Estado. O (des)governo ganha duas vezes: mantém um organismo que pode manipular em proveito próprio e onde pode continuar a sustentar o clientelismo político!
Antes do 25 de Abril tinhamos uma ditadura e sabiamos que assim era. Alguém mandava e tinhamos de obedecer. Actualmente, estamos subjugados por uma ditadura democrática que se esconde ao abrigo de leis ditadas pelo núcleo duro do partido no poder!
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